7 de março de 2021

Letícia e João 

Eu queria falar pra todos os casais. Na verdade, não é nada disso. Queria é levar o sentimento que vi e vivi recentemente a todos os casais do período pandêmico. A Lets e o João se casariam em junho de 2020. Daí, vcs conhecem bem o que rolou de lá pra cá. E a Lets me ligou recentemente. As forças se esgotavam. Cancelar tudo era uma possibilidade real pra ela. E é aí que quero chegar e me ater.

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Tem casamento de todo jeito. Mas, tem um que é diferente de qualquer outro: o casamento de verdade. Aquele que é feito pelo sentimento real-oficial. Vai além do social. Não é o exterior que importa. É o que aquilo representa. E sentimento, meu povo, sentimento é trem forte que não acaba. Se é real-oficial, tem pandemia que derruba, não. Amor é maior que isso. Ô, se é!!! Ôôôô, se ééé!!!

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Quando a voz da Lets surgiu e me mostrou a dor de falar em possível cancelamento, claro que entendi seu desânimo. Só que, por trás do desânimo, havia muito mais. Tinha dor e decepção. Fiquei pensando e eu precisava pensar rápido, afinal era uma ligação telefônica e a palavra certa se fazia mega necessária. Pensei em como seria essa lacuna na vida dela. Como ela se sentiria toda vez que pisasse em um casamento? Porque as amigas continuarão casando. Parentes continuarão casando. O mundo continuará casando e essa é a sensação qd fica um buraco na vida. O mundo tem e, eu, não. Não tive por causa da pandemia. Não tive porque eu desisti. Não tive porque eu não resisti. E isso se traduzirá em dor. Meu vestido de noiva? Nunca mais! Minha entrada na cerimônia, segurando o bouquet e conduzida por meu pai ou por alguém de amor igual? Nunca mais! Minha comemoração com quem tanto espero? Podem vir outras. Essa, nunca mais! Se isso parece excessivo e vc não entende, pode parar por aqui. Esse texto não é pra vc. Se vc lê e sabe exatamente o que quero dizer, bora continuar. Palavra de quem sabe um pouco do nunca mais. Agradeço a oportunidade de gerar minha Manu. Eu NUNCA MAIS consegui gerar outro filho. E me questiono o que seria de mim, se naquele momento, qd Deus me enviou minha filha, eu tivesse esperado mais pra tentar engravidar. Esperar a carreira deslanchar, a maturidade emocional se solidificar e tantas outras questões que a gente coloca na balança. Eu era jovem. Tava com 26 anos. Podia esperar. E se eu tivesse esperado? Talvez meu NUNCA MAIS teria um peso muuuuuuito maior do que tem o "nunca mais" depois de ter vivido a experiência, ainda que daquele jeito. Zero grana, pouco tempo de casada, mudando de emprego, um pouco imatura. Ela veio e eu não mudaria uma vírgula sequer. Que bom que foi naquele momento! Do jeitinho que foi.

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A arte do possível não é fazer de qualquer jeito. A arte do possível é conseguir se encantar de qualquer jeito. Não, não sugiro irresponsabilidade. E, sim, se o vírus desaparecesse, meu pensamento seria outro. Porém, ele não vai embora. Podemos nos trancar o quanto for, ele já é. Ou a gente aprende a conviver ou a gente aprende a conviver. E foi aí que lutei por uma solução responsável. Responsabilidade é preservar a saúde. Felicidade é parte da saúde. A tristeza da Lets não tinha nada de saudável. Cerimonial tem que ajudar e solucionar sempre que puder. Não, esse "nunca mais" vc não vai carregar, Lets. Não no que depender de mim.

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Chega uma hora que vc sabe que quer viver aquilo. Lets e João esperaram 14 anos. Sim, 14 anos de relacionamento. Momento de viver o casório. Se é real-oficial, sentimento é trem forte que fala muuuuito mais alto. Permite até mesmo o que parecia impossível virar possível. O momento dela é agora. Esperar não cabe mais. Pra quem precisa esperar, ok. Que seja. Desistir? Aff, desistir é para os fracos e me desculpe se alguém se ofender.

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A gente repaginou, de forma que a alegria viesse com a mesma e exata segurança do cotidiano. O olho voltou a brilhar e eu enxergava isso, ainda que por telefone. A voz entusiasmou e deu, sim, pra ver olhos brilhando, só de ouvir aquela voz feliz. Ela se empolgava de lá e eu de cá. De repente, nosso coração batia forte, nossa fala tava eufórica, havia reciprocidade e vitalidade. Por instantes, a gente imaginava e tecia junto. Naquele momento, vivíamos de verdade. Num momento em que viver passou a ser só sobreviver, um fôlego de alegria genuína. E eu pensei: É... é exatamente por isso que eu tô aqui.

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Obrigada, amados Lets e João. Por tanto sopro de vida, pela claridade que vcs me trazem neste instante. Obrigada a cada um(a) que JAMAIS pensou em desistir. Renunciar à celebração do casamento é o mesmo que depreciar o sentido de tudo. Não é pra isso que escolhi esse ofício. Definitivamente, desistir não é pra mim. 

22 de janeiro de 2021

 Renata e João

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Eles chegaram por indicações muito queridas. A velha história da amiga que indica  a outra e  mais outra e outra ainda e me permitem perpetuação nesse universo que amo. Não pretendo me estender muito, porque foi só a primeira etapa e ela merece muuuito mais. Que venha maio! Mas, é impossível manter silêncio, depois de um dia como aquele 28/11/2020.

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Ela estava feliz, muito feliz. Tinha brilho no olhar. Os olhos dele também brilhavam. Quando a situação se torna difícil e vc consegue um instante de alívio, aquela alegria vem como enxurrada. Sentimos uma felicidade coletiva que me traz frio na barriga só de lembrar. Comemorar estava mais intenso naquele instante. Estar junto ganhava teor de magia. Eles me permitiram uma sensação de um conto de fadas, por mais brega que essa minha comparação seja. Foi bem assim. Lindo no concreto, ao alcance dos olhos. Mais lindo ainda na abstração do coração. Eita, dia bom! Eita casal incrível.

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Eu adoro a intensidade dela. Amo a verdade exposta e escancarada. Adoro a fala a mil por hora. E morro de rir da impaciência qd fica irritada. Ela é tão de verdade! Ele aparenta calmaria. Sempre me pareceu tranquilão e um lord na educação e paciência. Gosto como eles se entendem. E vejo que já comecei a falar demais. É só pra dar sabor de quero mais. O mesmo sabor que ela nos proporcionou com aquele dia inexplicável. Com uma garantia: vamos multiplicar por um zilhão, na próxima etapa. 

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Fotos e meu muito obrigada pelo envio: Mark Greathouse























17 de janeiro de 2021

 Bora, de textão?

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Pra quê textão hoje? Sem grandes pretensões. Quero apenas me dedicar. Conectar com quem se interessa, me entregar à causa que me move, lidar com noivas. Jogar conversa fora, como se fôssemos amigas passando fim de semana juntas. Porque as sutilezas são incrivelmente significativas, fundamentais e vitais.

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Cá estamos, na segunda quinzena de janeiro. O mundo continua um caos, mas meus olhos insistem em brilhar. O psicológico da virada de ano trouxe uma força inabalável de um lugar qualquer. Me sinto mais legal e mais pronta para lidar. Com pessoas e com situações. O pesado parece mais leve, ainda que picante. Uma pimentinha dá sabor! Ainda bem o paladar tá aqui, eita. Pronto pra saborear o que está por vir. Vislumbro casamentos, Começo a viver 2022, através de novas histórias e novos protagonistas. Vida de cerimonial mistura presente e futuro o tempo todo. Gosto disso. Sensação de sempre ter que ir lá pra frente. Planejar momento bom da vida do outro, o que acaba sendo momento bom da minha também. 

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O textão de hoje nem será tão ÃO assim. Inclusive, além de curto, parece meio sem sentido e tolinho. É que, no raso das palavras, pode existir a profundidade da alma. Se está cheia de bons fluidos, tem que desaguar. Em forma de onda, uma boa onda seguindo até "a beira do mar do amor". Tá tudo cor de rosa? Não! É cinza pra todo lado. Só que o domingo acordou cor de rosa e faço questão de apreciar. E de compartilhar. E o seu domingo, tá cor de rosa também? Espero que sim!

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30 de dezembro de 2020

Sobre 2021

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Quase lá. Como se tudo fosse se transformar de um dia a outro. A gente sabe que não é assim, mas o psicológico precisa dessa crença.Como se fosse uma chave que simplesmente gira e abre a porta. O que você gostaria de ver por trás da porta? 

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Piar de passarinho. Sorvete de flocos, paçoca e açaí. Risadas soltas. Dias ensolarados. Cheiro de filha. Amor e ódio de academia. Reunião de trabalho. Ida ao supermercado. Almoço na casa dos pais. Acordar tarde no domingo. Novela (quem ainda?). Política. Instagram. Vídeos nonsense. Palavras pensadas. Palavras aleatórias. Ter razão. Perder razão. Dar razão. Boleto quitado. Saúde pra dar e vender. Coerência sempre. Continuar sem medo. Anti-establishment. Lei da atração. Lei de Murphy. Cotidiano. Rotina. Surpresa pra quem gosta. Sem surpresa pra quem não gosta (eu). Movimento. Liberdade. Parar nunca mais. 

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Que a conclusão seja do viver como forma de assumir riscos ou se morre em vida. Que a porta se abra e traga a merecida e desejada renovação. Esperança a quem tanto esperou. Concedemos nossa parte. Que seja a hora da retribuição. Egoisticamente e em primeira pessoa, finalizo esse ano com um nada modesto EU MEREÇO. E estendo no coletivo, ainda que, para alguns, esteja confortável permanecer. A todos, a restituição. Pelo bem maior de viver e não morrer em vida.

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23 de dezembro de 2020

 Natal

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O que dizer neste Natal de 2020? Já comecei e recomecei a digitar 3 vezes. Meia dúzia de palavras e apago tudo. Cadê meu conteúdo? Onde ele foi parar? Sinto como se tudo tivesse escoado. Sabe a água, descendo pelo ralo, quando vc toma banho? Tipo isso. Que medo dela levar minha alma junto! De repente, pareço só um corpo oco. Tão estranho. Tão incômodo.

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Lidar com a verdade e expor minhas fraquezas ou buscar forças nas profundezas sei lá de onde para fazer a fofa? Tentei seguir fofa, nem cômica fui. Desisti. Outra vez, a verdade me pareceu a melhor escolha. Ainda com suas dores e peso, verdades nunca confundem. Mas, o que vão pensar de mim, se eu trouxer uma energia sombria? Desculpa! Tô exausta demais pra me preocupar com o que vão pensar de mim. NÃO sou dessas que liga o f...-se ao outro, não mesmo. Porém, no momento, como presente de aniversário e Natal, que quase se fundem em minha vida, vou me permitir um dia de dor. Como presente. Mais uma loucura de 2020. Aceitar um dia de dor como presente... Quem imaginava?!!

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Por que eu tô dividindo isso publicamente? Não faço ideia. Uma necessidade bizarra de me manifestar, talvez por ser Natal. Por considerar que alguma mensagem deva existir, seja ela qual for. Talvez para explicar porquê eu não conseguirei desejar ou retribuir um FELIZ NATAL. 

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Por fim, só desejo que a vida me reabasteça do que me faz, de fato, feliz. Não tenho grandes sonhos de consumo. Meu maior propósito é dar bons estudos à minha filha Manu e, graças a Deus, tem dado certo. Me sinto feliz com o trivial de experiências cotidianas, rotina estabelecida e sensações do dia a dia. Sim, considero, esse, o meu sonho pra vida. Pra vida toda! Que ele se realize. E, no auge da minha capacidade e desejo por fofurice, reúno as forças que me restam e espero MUITO, MUITO MESMO, que seu sonho se realize também. E viva a capacidade de sonhar!

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20 de dezembro de 2020

Suélen e Felipe

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A Suélen apareceu em plena pandemia. O casamento tbm seria em plena pandemia. Do jeito que autoridades determinassem, mas seria. Sem teor de confronto, apenas no tempo que ela escolheu pra sua felicidade. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, já dizia a canção.

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Suélen e Felipe foram um respiro de ar puro. Um dia feliz, daqueles muito raros, como já dizia outra canção. Aconteceu celebração, emoção, comemoração. Sem culpa e sem pedidos de desculpas tão comuns, atualmente, cada vez que a gente tenta ser, simplesmente, normal. Um dia de sorrisos, música boa, papo colocado em dia, uma bolha que emanava beleza e, inacreditavelmente, emanava paz. Mesmo com abraços reduzidos, a energia era de um grande abraço coletivo. Ganhei mais um casal especial para chamar de meu. Ganhei renovação de alegria e acreditei novamente no possível que parece impossível ou no impossível que parece possível. Sei lá se me entendem. Não sei expressar com clareza. Num mundo turvo, instantes de clareza seriam lucidez ou plena embriaguez?

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Sinto que perdi um tanto de romantismo nas palavras, sinto meu vocabulário bem precário. Queria caprichar mais, como presente e expressão real do que esse casal e esse casamento significou pra mim. Salvou um instante final de 2020, como comentou uma das madrinhas. Agradeço por serem luz nas nossas vidas. Agradeço pela leveza na condução de cada passo. Agradeço pela verdade entregue. Agradeço por permitirem a (re)união entre pessoas que se amam. Agradeço pela oportunidade de viver, num ano em que meramente existimos. Agradeço pela certeza concedida - VIVER É BEEEEM MELHOR QUE EXISTIR! Sejam felizes. Esse é o propósito. Estejam “vivos” sempre.

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Fotos: Diego Filipe Fotógrafo

























6 de maio de 2020

Sobre nós!
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Minhas noivas me permitiram, então, bora de textão. Eu falei da Cristina e do Ramon e a condução mais linda que vi e vivi nesta quarentena. Agora, volto a eles, mas me estendo ao geral das minhas noivas (lembrem-se: sempre leiam noivas e noivos). 
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Sempre tive pra mim, que as pessoas se unem por afinidade. Quando eu resolvi adotar uma linha de trabalho, assumi concessões que, como tudo na vida, trouxeram ônus e bônus. Dentre todos os pesos e levezas, um me era (sempre foi) precioso. Eu queria estar com gente do bem. Gente que transmitisse verdade, entrega, lealdade, afeto, qualidades que me representam na prática ou numa busca incessante. Pra ter gente assim, eu precisaria dar meu máximo, na luta por carregar e transmitir essas características como sendo minhas . Foi o que fiz. Perfeitinha e diferentona? Não. Nunca. Eita, que defeito aqui é mato. Mas, a batalha por me cercar das virtudes é maior ainda. Se eu queria receber isso, era obrigatório o esforço por demonstrar o mesmo. Em busca de um espelho. Mostrar o meu melhor, pra receber o seu melhor.  Resumindo, deu certo. De repente, o meu maior troféu. Minhas noivas. Do jeito que são. Não noivas por noivas. As MINHAS noivas.
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Um momento de crise como este traz à tona cretinices inimagináveis. Ouvi de um colega essa frase e ficou na minha cabeça desde então. Parei pra prestar atenção e concordei demais. Máscaras caíram. E como! De tudo quanto é lado. Acontece que vi o contraposto. Enxerguei porquê eu venero tanto os meus amados noivos e, neste instante, vou usar o plural masculino + feminino, porque quero muito abranger ao máximo essa turminha que chamo de minha, "com muuuuito orgulho, com muito amor" . Vi a empatia tomar conta. Senti um elo qse inacreditável. Recebi um colo de quem não me devia isso e fez gratuitamente, como se o barco não fosse todos nós. Percebi que abriam mão de seus contextos para saberem como estava o meu contexto. Instantes de absurda generosidade. Se eu estava bem, se eu precisava de algum apoio, especialmente o apoio emocional, aflita que sou assumidamente. Esperar não é pra mim, elas sabem! Entendi o quanto estamos de mãos dadas e isso é lindo. Absorvi a confiança plena e como é incrível ver esse meu objetivo tão verdadeiramente alcançado. Sim, somos confidentes de mão dupla. Compreendi o quanto são leais. Amei mais! Aceitei, de uma vez por todas, que meu sucesso chegou, na tradução que eu desejava: estar com gente do bem, com gente que me faz bem. Graças ao público de amadas que formam meu time de vida e de profissão. Sim, meu sucesso chegou, repito. Elas são a tradução dele, a representatividade da incessante busca que já citei. 
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Um pedido? Que seja exatamente SEMPRE assim. Esse monte de amor pra mim. Uma palavra? Obrigada. O que mais eu poderia dizer a elas? Obrigada, meu coletivo de espelhinhos, se é que me permitem a audácia de me considerar reflexo de vcs. Muito obrigada!
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Foto: Alexandre + Cristina Lima

30 de abril de 2020

Eu e meus noivos

Quando eu escolhi minha forma e conduta de trabalho, foi por uma questão do conjunto eu + meus noivos, resultando no que seria melhor aos dois lados. A partir daí, eu criei a grande mania de ter um cotidiano muito voltado ao outro. O que seria mais adequado a esse outro, como não ser parcial na minha preferência pessoal, o que traria mais felicidade aos meus noivos e o porquê, como argumentar, como equilibrar a conduta, como ser justa com esse casal que confiou em mim. É uma filosofia de trabalho e método de condutas que criei e acho que funcionam bem. 

O que eu esperava em troca?
Reconhecimento. Reconhecimento e isso entra numa fraqueza de vaidade. Peço desculpas por ela, mas admito o caráter humano e imperfeito da questão. Não posso me queixar. Gosto do respeito que sinto no meio dos eventos e AMO o principal foco que me adula nessa fraqueza, a minha noiva (leiam sempre noivos, por favor, aliás, leiam clientes, é hábito me dirigir à noiva, por ser meu principal interlocutor direto, especialmente em rede social). Cada casamento que passa e vem um elogio, chega numa maciez, numa satisfação pessoal, numa inundação de alma, que não consigo explicar. É o momento no qual TUDO FAZ SENTIDO.

Uma palavra muito importante na minha profissão é PLANEJAMENTO. Eu passo dia e noite pensando em cada passo do dia, especialmente do grande dia do casamento (ou qualquer outro evento) daquelas pessoinhas que me contrataram e, no alcance do big day, já se acoplaram numa relação sólida e tô falando bonito, sim, me deixem falar, por favor, nada de julgamentos, eu sei que pode estar over, mas não tô nem aí pra críticas hoje.

Tá, mas e daí? , já dizia o meme extraído do BBB.
Daí vem uma pandemia e todo meu planejamento cai por terra, desaba sem dó. Cadê o chão, gente? Ainda não sei. Se alguém souber, por favor, me conte.

De novo: tá, mas e daí? 
Daí, eu volto ao reconhecimento. E precisaria entrar numa dissertação longa para contar momentos incríveis que o confinamento me trouxe (e olha que eu tô achando essa fase uma merda). Afirmo que ontem foi o dia mais incrível e reconfortante que esse período me permitiu viver. Eu poderia continuar, só que  o discurso pode estar chato e vou me prolongar demais. Então, fica uma enquete nos stories e vejo se vale a pena prosseguir ou se basta finalizar com um obrigada, que é o que vai ocorrer por enquanto. Obrigada a muitos casais que estão vivendo comigo esse momento de repaginação dos seus (nossos) casamentos. Mas, um obrigada muito exclusivo e especial a um desses casais. Talvez eu não devesse destinar ao alvo, já que eles sabem que é pra eles. Porém quem disse que não sou fora da caixinha? Vou dar nome aos bois, sim, preciso gritar, berrar meu muito obrigada à Cristina e ao Ramon pela conduta mais incrível e inesperada. Caso haja uma postagem complementar, eu agradeço mais. Eu agradeço sempre. Eu acho que toda vez que eu falar com eles, vou começar agradecendo. Até mesmo antes do oi, tudo bem. Vai ser, obrigada, oi, tudo bem? 

Finalizando, sobre a enquete, pensem bem. Talvez ela mereça um não, porque a mana ak começa a falar e não para... 

15 de abril de 2020

Falando sobre mim...

Andei me expressando demais, ultimamente. Eu andava bem comportada, limitando o cunho da rede social no meu foco principal, que é falar de eventos. Aí, a vida dá uma rasteira mundial e surge uma pandemia. Perco o ponto e exponho mais do que eu deveria. Comecei, agora vamos lá! É preciso contextualizar melhor, pra interpretação se tornar mais compreensível.

Em 2015, tirei minhas últimas férias. Férias mesmo, com viagem, com certo abandono ao celular (certo, hein, não todo, claro, eu não conseguiria) e dedicação plena ao lazer e ócio. Fiz pela Manu. Faria de novo, por ela. Foi um momento de reflexão e conclusão definitivas. Vivi uma angústia tão grande por estar de férias, que não foi saudável. Foi aflitivo antes de ir, durante e depois. Uma culpa, um martírio, um vazio e concluí que aquilo não era pra mim. Por que eu tenho que gostar de férias e de viajar, se eu não gosto, se não me faz bem? Por que eu preciso ir, se posso ficar? Por que eu preciso carregar o trabalho como conceito do árduo, como obrigação pesada, se eu amo e saio plena, ainda que com todo cansaço, pressão, longas jornadas e salário mediano no fim do mês? Ali, naquele 2015, abracei definitivamente e aceitei a minha verdade. Não gosto de férias, gosto de trabalhar. E fato é que trabalhar é bem aceito, visto com bons olhos e o único ponto sem críticas sociais, a galera acaba admirando, não exige justificativas, o que é bom também. Ainda que não compreendam essa minha bizarrice, todos respeitam e isso é bom, um conforto a mais para lidar (ou a não ter que lidar). 

Com essa característica pessoal, como ficou minha vida? Com um desejo enorme de trabalhar muito e muito bem. Isso implicou em fazer muito bem feito uma quantidade inferior de eventos. A opção é um evento por dia, salvo raríssimas exceções (tipo período de pandemia que exigiu remanejamento de agenda e uma data ou outra terá equipe sem minha presença física). A  ideia é valorizar o único, o exclusivo, o sucesso absoluto do evento por mim organizado, ainda que não havendo sucesso pleno em ganhos financeiros, especialmente quando optei por não aceitar comissão por venda/indicação. É isso que me faz feliz. Tenho medo de abrir mão de ganhar mais? Tenho. Mas tenho muito mais medo de abrir mão do que me faz feliz. Nessa escolha, vi que preciso mais de ser do que de ter. Quero muito ter o suficiente para dar uma boa educação à Manu e garantir o pagamento das demais contas primordiais, como alimentação e plano de saúde. Tá ótimo! Faz tempo que não quero mais da vida. Aí, tem o outro lado. Minha solicitação particular implorada, meu desejo maior de todos. Peço saúde o tempo todo para conseguir trabalhar até velhinha, até o corpo não aguentar mais, se possível, até morrer no palco, em cena, no meio de um evento. E aí, o que me tiram? O trabalho. Vem um vírus, somado a um Estado e me tira tira o norte. Ainda que eu me dispusesse a trabalhar, isso me foi retirado. Sim. Fiquei sem chão. Sim, uma tristeza enorme me dói a cada dia que acordo e sinto o vazio do ócio e a proibição da minha liberdade de ir e vir. Na minha cabeça,  isso não cabe. Não consigo digerir. Recomendação, ok. Proibir, é muito cruel. Não tenho maturidade pra lidar. Sofro, sim. 

Se 60/70% da população contaminada extermina ou reduz drasticamente a circulação do vírus, se os organismos jovens lidam melhor com o vírus e resistem sem maiores consequências (eu sei, há exceções), se eu escolho assumir o risco  e quero me contaminar para acelerar a proteção geral (ser uma da estatística dos 70% necessários), especialmente pra proteger meus familiares do grupo de risco, ainda que minha conduta gere críticas, perigo e excesso de paixão, qd meu temperamento justiceiro faz com que eu me entregue individualmente por uma causa, por um ideal maior, pelo coletivo... ainda assim, de repente, o Estado me proíbe de tomar minha decisão. A grande maioria das pessoas se diz Cristã e maravilhada com o sacrifício proposital e consciente de Cristo crucificado. Sei que chega ao ridículo meu exemplo, indo tão longe. Mas, queria entender porque não posso, individualmente, como organismo jovem e saudável, me doar à causa. Por que é feio eu me entregar e ser uma formiguinha operária (essa, sim, analogia real) , exercendo meu trabalho e cumprindo o  que consideraria meu sacrifício, o risco em me contaminar e viver (provavelmente) ou morrer (pouco provável), como missão a um bem maior, a uma coletividade? Por que o Estado tem o direito de matar uma nação e levar a um colapso muito menos previsível do que o efeito do vírus num organismo jovem/saudável? Colapso este que pode matar muito mais e não me refiro só a vidas, me refiro a matar sonhos, matar entusiasmo, matar projetos da vida de tanta gente. Matar de fome tb, o próximo que tem bem menos que nós. Matar a dignidade deles conseguirem o próprio alimento. Matar a esperança. Aceitar esmolas, enquanto uma minoria da sociedade vive suas grandes férias, assistindo à Netflix e comendo guloseimas sem fim, no argumento difícil de confrontar, alegando salvar vidas... Eu sei, eu tô vendo Netflix e comendo gordices. É uma opção confortável e só tenho a agradecer por isso. Mas, a louca ak, escolheria mesmo é se contaminar e resolver sua parte na contribuição ao coletivismo, em busca dos tão esperados dias melhores. 

Quando eu disse EU SÓ QUERO TRABALHAR, realmente, acho que pequei nas palavras. Ou ainda era muito cedo para eu constatar que só quero ir e vir.

Então, é isso, that's all, folks! Queria encerrar o assunto, porém com a explicação mais detalhada (e maluca, tá, sei disso tb) sobre meus devaneios em politizar meu insta. Obrigada q quem teve paciência de ler até agora. Prometo voltar à poesia do que me alimenta a alma. Assunto encerrado. Bora falar de eventos! Bora Fabricar Eventos

Foto: Le Gras

10 de abril de 2020

Fernanda ❤ Flávio
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No meio do ócio do corpo e extrema ocupação da mente, especialmente sobre o que ocorrerá após essa quarentena, eis que me chega poesia. Foto é reviver o que passou. Arranca nossos suspiros, nossas risadas, nos concede a volta no tempo, traz surpresas. Exige um bom olhar, que alie o que aconteceu àquilo que o outro considere bonito, interessante, surpreendente. Eterniza instantes que merecem, de fato, existir pra sempre. Sim, esse fevereiro de 2020, pré-covid, tornou-se inesquecível. Pela raridade do que vivemos, pela possibilidade de aglomerar e comemorar, por permitir abraços e beijos à vontade, por ser o mês dela, minha Fernanda, tão incrível e seu amor de uma década, o tb querido, Flávio. Ah, meus amores, quem diria que vcs fariam ainda mais história, sendo meu último casal de um tempo em que tudo parecia promessa de um ano mega bom. "O importante é que emoções eu vivi", já dizia Roberto Carlos. Que privilégio viver as emoções que vivemos. Sinto o cheiro perfumado e o gosto doce daquele dia. Sinto saudades do ensaio no corredor do shopping e até de sentir o maior medo do momento, que era simplesmente o medo da chuva. Se foi especial quando vivemos, ficou ainda mais hoje, quando percebemos o quanto fomos felizes naquele dia de pura magia.
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Fernanda veio e se tornou minha de imediato. Ela é ultra blaster tranquilinha, fala com delicadeza e sempre se mostrou fofíssima e educadíssima. Do jeito que eu queria ser. É boa ouvinte,  característica que eu acho, atualmente, um dos mais sensacionais adjetivos que alguém pode ter. É moça que parece ser ótima amiga, daquelas que a gente quer ao lado o tempo todo. Do tipo que entrega seu carinho e sua confiança, senti isso plenamente em nossa caminhada. Ela me inspira e eu curto gente que me inspira. Ela me acalma e eu também curto gente que me acalma. Ela estava sempre acompanhada da mãe (Magda, outra querida demais), ela tem jeito de boa filha e eu curto demais boas filhas (ouviu, Manu, vou repetir, curto demais boas filhas). Ela é amiga de outras fofuras, mega especiais, que também tenho a honra de chamar de minhas, né minhas amouras  que sabem quem são. Ela me faz querer escrever sem fim e meu coração aperta de saber que tô encerrando, pra eu não ser a chata-prolixa das palavras.
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Já que a postagem precisa encerrar, que seja do jeito que a gente mais ama: demonstrando eterna gratidão. Obrigada, mina sempre noiva, obrigada por me proporcionar conviver com sua delicadeza e sua paz. Obrigada por trazer um trem bom no coração da gente. Que alegria saber que nossa história tem mais capítulo a ser cumprido e que já,já, a gente se vê num outro casamento (né, Lu), num desses momentos que a gente mais ama viver. Momentos que dão sentido a tudo. Obrigada por me permitirem viver o casamento de vcs, Fernanda e Flávio.
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Agora, eu valorizo, mais que nunca, cada instante que pudemos comemorar e os que poderemos também, ainda que pareçam tão longe, em tempos de isolamento social. Tudo faz mais sentido de agora em diante. Tudo ganha um novo conceito e nova compreensão. Compreendo, com uma lucidez fidedigna, o valor de depositar tanto zelo, tempo, dinheiro e emoção nesse evento singular da vida, o casamento. Compreendo, com uma lucidez fidedigna, a preciosidade de uma Fernanda, quando ela me dá seu sim, neste instante da vida dela que faz da minha profissão a mais maravilhosa de todas. Obrigada por isso. Obrigada por tanto.
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Fotos: Ricardo Aquino